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terça-feira, 14 de abril de 2015

IDOSOS E TREINO RESISTIDO

Será que a pessoa idosa tem que ter como fiel companheiro o seu par de pesinhos de 1kg, sua faixa elástica bonitinha e agachar o ano todo com o peso do próprio corpo? Será que para elas, qualquer atividade levinha é melhor que nada para saúde e qualidade de vida? Puro engano! Idosos não são como “cristais”! Não subestime a capacidade deles!

Quando uma pessoa pode ser considerada idosa?
 
Uma definição bem simples seria: todo individuo com idade igual ou superior a 65 anos. Porém, outros vários fatores determinados pela genética e/ou estilo de vida, faz com que o envelhecimento ocorra com velocidade e intensidade diferentes para cada um. O que muitos conhecem como idade cronológica e idade biológica. Ser jovem não é necessariamente sinônimo de saúde, o oposto também é verdadeiro. E qual idade biológica você acha que tem?

A perda da qualidade de vida para idosos está diretamente ligada à perda de força e à redução da massa muscular associada com a idade, denominada sarcopenia. Este declínio atua nos aspectos funcionais, ou seja, realizar as atividades da vida diária com autonomia. A preocupação dos cientistas, e nossa, professores de educação física, é garantir essa autonomia.

E mais, estudos vêm correlacionando idosos e bons níveis de força com menor mortalidade por TODAS as causas!!!

Então, será que treinar com objetivo de saúde e qualidade de vida é treinar leve? E isso vale para todas as idades!

A maioria dos estudos com idosos, incluindo os realizados com idosos com mais de 90 anos ou com patologias pré-existentes, têm mostrado que treinos de alta intensidade são seguros e eficientes para a saúde e qualidade de vida do idoso, já o treinamento de força de baixa intensidade produz resultados muito limitados como concluiu estudo feito por Carvalho e colaboradores (2004).

Alguns estudiosos afirmam que treinos na faixa de 60% (1RM) podem ser tão eficientes ou melhores que os com intensidades. Pode parecer um treino leve, porém podem levar a pessoa à fadiga e/ou falha concêntrica.

O treinamento para idosos segue parâmetros similares aos aplicados em sujeitos jovens.  

Um estudo realizado no Laboratório de Cinesiologia do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (J Strength Cond Res, 2010) – o resistido feito com 60% (1RM) e o aeróbico (65-75%FCR) - concluiu que as mulheres idosas saudáveis ​​são capazes de se exercitar e aumentar a intensidade do exercício, da mesma forma como as mulheres jovens.

Benefícios

São as metodologias que utilizam sobrecargas intensas – e o profissional de educação física sabe que sobrecargas não significa só aumentar peso (kg)! - que vão garantir ganhos significativos de força, massa muscular e massa óssea para aumentarem a velocidade e eficiência na caminhada, a potência para subir escadas e levantar-se de uma cadeira, melhora no equilíbrio na execução das atividades do cotidiano em geral, e a prevenção ou tratamento de patologias. Além da estética e melhora da autoestima, que é um fator de extrema importância em todas as idades, não é?

Cuidados

É claro, que é essencial uma avaliação prévia com um médico e com o educador físico para conhecer se há alguma patologia e quais suas reais necessidades, por que, assim, os benefícios são alcançados sem riscos. Além disso, o profissional tem que ter conhecimentos científicos para adequar o treinamento de forma eficaz e segura, pois o exercício físico só é benéfico quando orientado segundo determinadas regras e princípios.