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quarta-feira, 20 de maio de 2015

FUNCIONAL... PRA QUÊ, MESMO?

Está se tornando comum a criação de espaços para o treinamento funcional. Mas, pra quê, mesmo?! Tem muita gente extremamente criativa que para acompanhar a moda misturam todos os tipos de práticas, copiando tudo que é "diferente" e acabam não fazendo nada direito. Tudo virou funcional, SQN!

Fazer cada dia um treino diferente, o que atrai a galera que foge dos treinos monótonos, e o baixo custo de investimento para montar o negócio, são bons motivos para encontrar um treinamento funcional em cada esquina. Ótimo! Eu também não curto treino chato e paradão, e que abram e lotem, cada vez mais, lugares voltados pra treinar com consciência, resultados e sem monotonia. Ou, comecem a usar a velha e boa musculação com estas estratégias já tão estudadas.

Não somos contra treinamentos funcionais por que,

O termo “funcional” pode ser definido como: Referente à função ou desempenho destas. UM TREINO FUNCIONAL É AQUELE QUE ALCANÇA SEU(S) OBJETIVO(S) DA MANEIRA MAIS EFICAZ E SEGURA POSSÍVEL!

Aliás, acreditamos profundamente que:

TODOS OS TREINOS DEVEM SER FUNCIONAIS!

Somos contra a utilização errada dos exercícios, da falta de metodologia, da periodização, da avaliação prévia e constante, da ciência no treinamento. Somos contra o treino de exercícios de FORÇA de maneira acrobática, sobre bases instáveis, utilizando saltos de maneira inapropriada e\ou posições complicadas e até constrangedoras. Somos contra a realização de exercícios complexos com pesos livres feitos com alta intensidade e muito volume (exercícios e repetições), e pior, quando tudo é feito com a maior velocidade possível. E somos contra erros que podem comprometer objetivos e, principalmente, causar lesões a curto ou a longo prazo.

É claro que não temos nada contra movimentos desafiantes e tampouco contra as acrobacias, tanto que, assim como Paulo Gentil, considero a capoeira fantástica e fico maravilhada com o Cirque de Soleil! 

E também, nada contra o exercício funcional com objetivo claro, eu faço e alguns dos meus exercícios são de equilíbrio de tronco com exercícios específicos, devido minha deficiência. Nem contra o treinamento funcional feito em alta intensidade, quando bem orientado. Sempre fui e sou adepta da intensidade e tenho a perfeita noção que aquilo que faz a diferença no treino é a intensidade do mesmo e não propriamente a duração.


SIM! EXISTEM ÓTIMOS PROFISSIONAIS QUE SABEM APLICAR UM TREINAMENTO FUNCIONAL DE QUALIDADE!

Vamos esclarecer.

O CORE

As famosas "pranchas", os abdominais sobre bola suíça e o bosu (meia bola) e\ou os intermináveis abdominais... NÃO são os melhores exercícios para trabalhar o CORE (região abdominal, lombar e pélvica).

De acordo com @treinoconsciente, McGill, um dos maiores pesquisadores em assuntos relacionados aos músculos estabilizadores, ou core, nos ajuda a esclarecer algumas confusões que foram feitas em relação ao assunto:

Como a palavra “core” foi inserida de forma mais abrangente recentemente na área da saúde, alguns profissionais acabaram por entender que para uma maior ativação desses músculos seria necessário fazer exercícios novos, diferentes e\ou feitos de uma maneira diferente. Foi a partir deste entendimento que passamos a testemunhar uma série de bizarrices nas academias, estúdios e clinicas de reabilitação.

Ou seja, não é somente porque a pessoa está de cabeça pra baixo ou em desequilíbrio que a sua musculatura do “core” está sendo mais trabalhada!

A recomendação para as pessoas envolvidas com a prescrição de treinos é clara: "focar na prescrição de exercícios multiarticulares com pesos livres, em vez de exercícios específicos para o core...". (Martuscello et al. 2013).


Então, mantenha uma boa postura, contraia o abdômen e realize-os com vontade!
Esses exercícios são também importantes na propriocepção, que nos permite consciência corporal, sensação do movimento e posicionamento articular, e assim, manter o equilíbrio postural. A propriocepção é a capacidade de percepção do próprio corpo. Então, é Funcional.

Não afirmamos que os demais exercícios para o core não são válidos, podem ser usados eventualmente e são indicados em casos específicos, mas, que fique claro que eles não são essenciais e tampouco são os mais eficientes.
Não há exercícios bons ou ruins, o exercício deve ser adequado aos objetivos do aluno.

Aí! A confusão. Passaram a fazer 1000 agachamentos, 1000 levantamentos terra... Virou um bombardeio! Protejam suas articulações!

TREINAMENTO FUNCIONAL (CROSSFIT)

Estudos confirmam que, exercícios multiarticulares com pesos livres feitos à exaustão, com alta intensidade e muito volume (exercícios; repetições), e em alta velocidade, tornam-se potencialmente perigosos e lesivos. Assim, esse tipo de treinamento (CrossFit) vem recebendo duras críticas em relação ao alto índice de lesões músculo-esquelético (Costa, Daniel; 2014). 

A motivação é muito interessante por levar o aluno a trabalhar em alta intensidade, no entanto, a péssima organização do treinamento e o desrespeito de alguns princípios do treinamento esportivo, colaboram com os altos índices de lesões gerados no Crossfit (Hak e col em 2013 citado por treinoconsciente) e nos “treinamentos funcionais” com este perfil.

O CrossFit é um programa, uma franquia, com excelente estratégia de marketing comercial. E sua metodologia é baseada em variação, intensidade e funcionalidade. Mas, fazer cursos de  CrossFit, Body Systems ou qualquer outro programa de treinamento, não dá o direito de dar aulas se você não tem FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Pois, o exercício ilegal da profissão, é CRIME.

Além disso, a lógica de treinar para suar mais não é suficiente. É fácil pôr as pessoas pra suar e queimar gordura com treinos de alta intensidade. Mas se queremos também melhorar a eficiência do movimento e reduzir o máximo de lesões, é preciso ir um pouco mais além.

AGACHAMENTOS: EQUILÍBRIO X FORÇA


Se você achar que é importante treinar mais o equilíbrio, ótimo! Treine! Mas, treine separado! AGACHAMENTO em cima da bola ou meia bola para ganho de força e hipertrofia, NÃO!

Pesquisadores da Universidade de Connecticut (incluindo William Kraemer) mostraram que fazer agachamentos sobre discos de equilíbrio prejudicava os resultados em comparação com o exercício com os pés no chão (Cressey et al., 2007; J of Strength and Cond Res., 2006; Madeira e cols.,2011).

SALTOS

E qual a ideia de colocar saltos no meio dos treinos funcionais? Não sei sobre vocês, mas, como disse Paulo Gentil, conseguir saltar em cima de uma caixa não é uma função que ele precise, ou eu precisava muito na minha vida... Digo “precisava” por que não tenho mais os movimentos das pernas, mas perdi o movimento e não o bom senso.

E ele explica, as mulheres normalmente sofrem cinco vezes mais ruptura de ligamento cruzado
anterior que os homens e essas lesões acontecem bastante após os saltos (Wild et al., 2012). O salto pode ter aplicações interessantes e é um método eficiente para melhorar a potência, importante para muitos esportes, mas não na hipertrofia muscular ou como funcionalidade. E cuidado para não se promover um desgaste desnecessário e sem um objetivo definido!

Fontes:
Trechos retirados de:
Dr. Paulo Gentil
@treinoconsciente
http://www.gease.pro.br/artigo_visualizar.php?id=250