Cada vez que senta e levanta você se lembra do
personal trainer e do agachamento feito no dia anterior? Amanhecer dolorido no
dia seguinte de um treino é comum para quem pratica ou inicia uma atividade
física.
A dor no dia seguinte, chamada dor muscular tardia, geralmente
é mais forte em pessoas que nunca treinaram antes, isso é devido ao maior
recrutamento - e microtraumas - de fibras musculares que não eram solicitadas
no dia a dia. Quanto mais e mais seu corpo se adapta aos treinos, menos dor você sente.
Sempre que a gente fizer algo que o nosso corpo não está mais acostumado,
podemos
esperar dores no dia seguinte L
Quando uma atividade muito intensa é realizada, a dor do dia seguinte é
praticamente inevitável, na medida em que ela caracteriza o processo de
adaptação dos músculos.
COMO OCORRE
Quando treinamos pesado, seja musculação, corrida, um jogo de bola num fim de semana, etc. provocamos microlesões – “machucamos”
- no tecido muscular com, consequente, processo inflamatório, edema e dor
gradual que geralmente ocorre oito horas após o término do
exercício e chega ao ápice nas
24-36 horas seguintes ao treino e podem durar até 7 dias, sem sequela alguma. Este
processo de reparação do “estrago” torna esses tecidos musculares mais fortes
do que antes. Esse é o processo de adaptação muscular. Então, uma dorzinha no
dia seguinte de um treino, que não impede sua atividade funcional diária, não é
preocupante.
A dor tardia tem maior relação com a intensidade do exercício e as contrações
excêntricas (MACARDLE e KATCH, 2003).
Excêntricas são aquelas que fazem com que o músculo seja alongado
ao mesmo tempo em que faz força (tensão).
Mas novos estímulos, como o tipo de exercício, nº
de repetições, carga, descanso entre as séries, ângulo articular do movimento,
tempo de execução nas fases concêntricas e principalmente, excêntricas, entre
outros novos estímulos podem causar dores tardias - e, consequentemente,
melhores resultados.
O quadro da dor do dia seguinte não
tem nada a ver com o chamado ácido láctico.
O QUE NÃO FAZER
Fazer
exercícios com o músculo dolorido, alongar os músculos, etc. não vão ajudar em
nada, podendo até causar um dano maior.
O QUE FAZER
Nada está provado como sendo 100% eficaz, mas estudos sugerem e têm sido consideradas bastante úteis:
- Aquecer antes do exercício por cerca de 10 minutos. Para quem faz exercício intenso, como musculação, é ainda mais importante.
- Adequar a intensidade do exercício para evitar um dano de maior magnitude. E evite fazer, na mesma semana, muitas alterações nos diversos estímulos.
- A aplicação de gelo imediatamente após é também recomendada, evitando a formação de um edema mais intenso.
- Os músculos doloridos devem ser poupados de atividades mais intensas para que o processo de reparação ocorra naturalmente.
- Em casos mais sérios, quando o processo inflamatório provoca limitação funcional, pode-se recorrer aos anti-inflamatórios sob indicação médica.
- Descanse e recupere: Simplesmente espere a dor passar, entre 5-7 dias.
Referências
K. L. SELLWOOD et al. Ice‐water immersion and delayed‐onset muscle soreness: a randomised controlled trial. Br J Sports Med. 2007 June; 41(6): 392–397. Published
online 2007 January 29. doi: 10.1136/bjsm.2006.033985.
D. M. BAILEY et al. Influence
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following
prolonged intermittent shuttle running. Journal of Sports Sciences, September 2007; 25(11):
1163 – 1170. DOI:
10.1080/02640410600982659.
Dr Turibio Leite
Barros. www.Drturibio.com
K. NOSAKA AND M. NEWTON. Repeated
Eccentric Exercise Bouts Do Not Exacerbate
Muscle Damage and Repair. Journal of
Strength and Conditioning Research, 2002, 16(1), 117–122.

