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quinta-feira, 22 de maio de 2014

DOR MUSCULAR TARDIA

Cada vez que senta e levanta você se lembra do personal trainer e do agachamento feito no dia anterior? Amanhecer dolorido no dia seguinte de um treino é comum para quem pratica ou inicia uma atividade física.

A dor no dia seguinte, chamada dor muscular tardia, geralmente é mais forte em pessoas que nunca treinaram antes, isso é devido ao maior recrutamento - e microtraumas - de fibras musculares que não eram solicitadas no dia a dia. Quanto mais e mais seu corpo se adapta aos treinos, menos dor você sente.

Sempre que a gente fizer algo que o nosso corpo não está mais acostumado, podemos esperar dores no dia seguinte L

Quando uma atividade muito intensa é realizada, a dor do dia seguinte é praticamente inevitável, na medida em que ela caracteriza o processo de adaptação dos músculos.

COMO OCORRE

Quando treinamos pesado, seja musculação, corrida, um jogo de bola num fim de semana, etc. provocamos microlesões – “machucamos” - no tecido muscular com, consequente, processo inflamatório, edema e dor gradual que geralmente ocorre oito horas após o término do exercício e chega ao ápice nas 24-36 horas seguintes ao treino e podem durar até 7 dias, sem sequela alguma. Este processo de reparação do “estrago” torna esses tecidos musculares mais fortes do que antes. Esse é o processo de adaptação muscular. Então, uma dorzinha no dia seguinte de um treino, que não impede sua atividade funcional diária, não é preocupante.

A dor tardia tem maior relação com a intensidade do exercício e as contrações excêntricas (MACARDLE e KATCH, 2003). Excêntricas são aquelas que fazem com que o músculo seja alongado ao mesmo tempo em que faz força (tensão).

Mas novos estímulos, como o tipo de exercício, nº de repetições, carga, descanso entre as séries, ângulo articular do movimento, tempo de execução nas fases concêntricas e principalmente, excêntricas, entre outros novos estímulos podem causar dores tardias - e, consequentemente, melhores resultados.

O quadro da dor do dia seguinte não tem nada a ver com o chamado ácido láctico.

O QUE NÃO FAZER

Fazer exercícios com o músculo dolorido, alongar os músculos, etc. não vão ajudar em nada, podendo até causar um dano maior.


O QUE FAZER

Nada está provado como sendo 100% eficaz, mas estudos sugerem e têm sido consideradas bastante úteis:

  • Aquecer antes do exercício por cerca de 10 minutos. Para quem faz exercício intenso, como musculação, é ainda mais importante.



  • Adequar a intensidade do exercício para evitar um dano de maior magnitude. E evite fazer, na mesma semana, muitas alterações nos diversos estímulos.



  • A aplicação de gelo imediatamente após é também recomendada, evitando a
    formação de um edema mais intenso.



  • Os músculos doloridos devem ser poupados de atividades mais intensas para que o processo de reparação ocorra naturalmente.



  • Em casos mais sérios, quando o processo inflamatório provoca limitação funcional, pode-se recorrer aos anti-inflamatórios sob indicação médica.



  • Descanse e recupere: Simplesmente espere a dor passar, entre 5-7 dias.


Referências

K. L. SELLWOOD et al. Icewater immersion and delayedonset muscle soreness: a randomised controlled trial. Br J Sports Med. 2007 June; 41(6): 392–397. Published online 2007 January 29. doi: 10.1136/bjsm.2006.033985.

D. M. BAILEY et al. Influence of cold-water immersion on indices of muscle damage
following prolonged intermittent shuttle running. Journal of Sports Sciences, September 2007; 25(11): 1163 – 1170. DOI: 10.1080/02640410600982659.

Dr Turibio Leite Barros. www.Drturibio.com

K. NOSAKA AND M. NEWTON. Repeated Eccentric Exercise Bouts Do Not Exacerbate Muscle Damage and Repair. Journal of Strength and Conditioning Research, 2002, 16(1), 117–122.