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sexta-feira, 18 de julho de 2014

GORDURAS X CARBOIDRATOS

Não é a gordura e sim o consumo exagerado dos carboidratos simples que está sendo associado ao aumento da obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes no mundo.

Desde 1970, os americanos diminuíram o consumo de gordura saturada (11%), mas aumentaram o de carboidratos (25%). Mesmo assim, a incidência de obesidade e doenças cardiovasculares cresceu, o que desperta a dúvida: E se o problema não estiver no omelete com bacon (ou a deliciosa manteiga) pelas manhãs?

Após idas e vindas, os especialistas agora farejam o vilão do século 21 para a saúde: os açúcares. Para fugir da gordura, a solução encontrada para saciar a população foram os carboidratos. Há consenso de que trocamos um problema por outro. A população está mais obesa, mais diabética, acometida por doenças senis e só não morre ainda mais de infartos fulminantes porque evoluíram as medicações e o diagnóstico.

Os carboidratos pareciam perfeitos, até menos calóricos. Assim, a pirâmide alimentar americana tem quase três vezes mais carboidratos do que carne, peixe, ovos, feijão e nozes juntos. E sem ovo no café da manhã, vieram as caixinhas de cereal matinal com leite desnatado, pão branco ou "falso integral" com margarina e iogurte light, mas adoçado.

O que temos é um fenômeno global de aumento dos alimentos processados e redução da gordura. Como todos acreditam nesse dogma, basta escrever "não contém gordura" ou "zero colesterol", e as pessoas comem. Mas o que elas estão ingerindo é açúcar.

Os carboidratos seriam os responsáveis por elevar as subpartículas mais nocivas de LDL no sangue, e não as gorduras, apontam estudos. Seguindo essa lógica, há linhagens de nutricionistas e médicos que usam a gordura para combater o açúcar. Receitam aos pacientes a ingestão de proteínas e gorduras saturadas e monoinsaturadas (abacate, nozes, azeite de oliva) para controlar a fome e a gana por doces, pães e massas. É o caminho inverso.

O que vai matar a pessoa não é a gordura, mas a combinação do pão e do doce depois do churrasco!

A execração da gordura saturada teve alto efeito psicológico. Houve uma "lavagem cerebral". Houve muita restrição. Manteiga, nem pensar. Não ao ovo, carne era permitida em pouquíssima quantidade.

MAS DEVEMOS OLHAR PARA A ALIMENTAÇÃO COMO UM TODO, NÃO PARA NUTRIENTES ISOLADOS.

Eu, que adoro manteiga e ovos, e evitava há anos, me identifiquei com o escritor Luis Fernando Veríssimo, que questionou, em 1999, em meio à reverberação da absolvição do ovo, quem o indenizaria por todas as gemas douradas que deixou de furar durante anos de medo inútil. "Ainda não liberaram a manteiga, mas é uma questão de tempo", escreveu, em premonição certeira!


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