Não é a gordura e sim o consumo exagerado dos carboidratos simples que está sendo associado ao aumento
da obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes no mundo.
Desde 1970, os americanos diminuíram o consumo de
gordura saturada (11%), mas aumentaram o de carboidratos (25%). Mesmo assim, a
incidência de obesidade e doenças cardiovasculares cresceu, o que desperta a
dúvida: E se o problema não estiver no omelete com bacon (ou a deliciosa
manteiga) pelas manhãs?
Após idas e vindas, os especialistas agora farejam
o vilão do século 21 para a saúde: os açúcares. Para fugir da gordura, a
solução encontrada para saciar a população foram os carboidratos. Há consenso de que trocamos um
problema por outro. A população está mais obesa, mais diabética, acometida por
doenças senis e só não morre ainda mais de infartos fulminantes porque
evoluíram as medicações e o diagnóstico.
Os carboidratos pareciam perfeitos, até menos
calóricos. Assim, a pirâmide alimentar americana tem quase três vezes mais carboidratos
do que carne, peixe, ovos, feijão e nozes juntos. E sem ovo no café da manhã,
vieram as caixinhas de cereal matinal com leite desnatado, pão branco ou "falso integral" com margarina e
iogurte light, mas adoçado.
O que temos é um fenômeno global de
aumento dos alimentos processados e redução da gordura. Como todos acreditam
nesse dogma, basta escrever "não contém gordura" ou "zero
colesterol", e as pessoas comem. Mas o que elas estão ingerindo é açúcar.
Os carboidratos seriam os responsáveis por elevar
as subpartículas mais nocivas de LDL no sangue, e não as gorduras, apontam
estudos. Seguindo essa lógica, há linhagens de nutricionistas e médicos que
usam a gordura para combater o açúcar. Receitam aos pacientes a ingestão de
proteínas e gorduras saturadas e monoinsaturadas (abacate, nozes, azeite de
oliva) para controlar a fome e a gana por doces, pães e massas. É o caminho
inverso.
O que vai
matar a pessoa não é a gordura, mas a combinação do pão e do doce
depois do churrasco!
A execração da gordura saturada teve alto efeito
psicológico. Houve uma "lavagem cerebral". Houve muita restrição.
Manteiga, nem pensar. Não ao ovo, carne era permitida em pouquíssima
quantidade.
MAS DEVEMOS OLHAR PARA A ALIMENTAÇÃO COMO UM TODO,
NÃO PARA NUTRIENTES ISOLADOS.
Eu, que adoro manteiga e ovos, e evitava há anos, me
identifiquei com o escritor Luis Fernando Veríssimo, que questionou, em 1999, em meio à reverberação da
absolvição do ovo, quem o indenizaria por todas as gemas douradas que deixou de furar
durante anos de medo inútil. "Ainda não liberaram a manteiga, mas é uma
questão de tempo", escreveu, em premonição certeira!



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